como nasceram os passarinhos

Phonto

Deus é autor dos passarinhos

ele os inventou numa manhã fria de inverno

enquanto a primavera se preparava para dar flor lá embaixo da terra

os passarinhos foram criados para a primavera

Deus acomodou cada passarinho nos galhos das árvores

como um artista cuidadoso e os ensinou que ali era sua casa

eles voariam mas voltariam para as árvores

céu não é casa

céu é só estrada de pássaro

eles voam de árvore em árvore procurando a primavera

fico emocionada só de contar esta história

porque Deus é um poeta

a criação é poesia

eu e você somos os leitores desta grande obra

Cris Menezes

*Foto deste post foi tirada na Chapada dos Veadeiros

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amor de circo~cordel

eu e tu bem que podia sê artista de circo

nóis dois podia era sê equilibrista

num trapézio gigante

lá roçando as estrelas

eu me jogaria e tu seria a minha rede

depois nóis dois podia voar juntin

caminhar no chão feito de ar

equilibrá na corda bamba

fazê piruetas

os filhos que a gente tivesse

ia crescer tudo no circo e quem sabe todos quisesse sê artista

dançarina, mágico, palhaço, poeta

nossa família ia sê uma trupe e criar os espetáculos mais bunitos que este sertão já viu

nossa alegria seria arrancar risos do nosso respeitável público

e assim sê também feliz

Cris Menezes

Eu, Frida

 

frida

A fotografia faz parte da minha vida, é uma lente a mais na minha retina, o alto grau que corrige  minha miopia. Atrás da lente da minha câmera, eu enxergo melhor tudo ao meu redor, mas não só isso, eu me vejo melhor também. A fotografia foi um olhar certeiro que eu lancei sob mim.  Quando comecei a tirar fotos de mim mesma, eu passei a me olhar de verdade, com o mesmo espanto de uma das personagens da Clarice Lispector. Eu me olhei no espelho e me espantei de ser eu: “como sou delicada e forte.”  Me inaugurei. Frida Kahlo pintou vários autorretratos e se representou como ela mesma se enxergava, sem fantasias ou idealizações.  Eu também me pintei, o rosto, e fiz meus retratos. Cada pintura, uma (re)descoberta.  Um olhar sem recriminações, de dentro pra fora, um olho no olho de quem se encara nas lentes da máquina fotográfica sem medo de se deixar revelar.  É um perto demais, é um zoom de 50 vezes.

Cris Menezes

O que esperar deste blog

Um dia decidi que ia viajar. Digitei no Google: lugares para viajar sozinha no Brasil e apareceu “Canoa quebrada”. Reservei hotel e comprei as passagens. Em poucos meses eu estava sozinha em Fortaleza pela primeira vez na vida. Não parei mais. Nas primeiras viagens, sentia um aperto no coração ainda no aeroporto: um misto de “quero ir”, mas “estou com medo.” Na segunda viagem, já comecei a me hospedar em hostel (albergue da juventude): um cama num quarto coletivo e uma cidade inteira para conhecer. Hoje os hostels  são minha casa na estrada.

Não é fácil viajar sozinha. Antes de ir, eu desisto várias vezes, reservo hospedagem e cancelo. Reservo e cancelo. Sair de casa para qualquer lugar do mundo é sempre arriscado. E vamos combinar que o Brasil não é, nem de longe, um dos países mais seguros para viajar. Quando fui para a Chapada dos Veadeiros, mandei uma mensagem para meus pais dizendo que o quarto tinha uma vista linda. Minha mãe  respondeu algo como: “Fique no quarto só observando. É mais seguro.” Eu ri muito. Seguro é, mas que graça tem?

Nestas viagens tenho conversado com pessoas desconhecidas mais do que costumo conversar na minha própria cidade. Se você já é adulto, pode ignorar aquele conselho de mãe de não falar com estranhos. Viajando, conheci os estranhos mais legais do mundo. No hostel, um sorriso, um olá, nome e de onde é, e já encontramos companhia para conhecer a cidade. Aprendi a ficar só comigo mesma, mas recebo com muita gratidão as pessoas que encontro pelo caminho. Conheci mulheres empoderadas que me inspiraram a continuar viajando. Foram as melhores companheiras de viagens. Parcerias fortes construídas nas pontes áreas do Brasil.

Então é por isso que não canso de repetir: o maior ganho de viajar sozinha e se hospedar em hostel são os amigos que fazemos lá. É  esta conexão com as pessoas que nem conheceríamos se não tivemos a ousadia de sair de casa com uma mochila nas costas e muitos sonhos na cabeça.  É como se nosso mundinho se expandisse quando, além de lugares, conhecemos pessoas diferentes, outras culturas, outros modos de enxergar a vida. Viajar sozinha é um mergulho para dentro de si mesma, uma jornada interior, com grandes escaladas, entre picos e vales, uma montanha russa de emoções, um espantar-se diário consigo mesma. Viajar é mais que se deslocar de um ponto a outro. É  se desinstalar de um lugar confortável para um lugar desconhecido. É sair da zona de conforto, da rotina, de si mesma.

O que pretendo com este blog é inspirar outras mulheres a pegarem uma mochila e se aventurarem sozinhas pelo mundo, com muita autoconfiança. Isso é empoderamento, gente!   Além de escrever dicas de destinos, trajetos, rotas, hospedagens, quero contar as histórias das viagem e publicar fotos, todos despretensiosas porque não sou fotógrafa profissional. Vamos conversar como se estivéssemos  numa pracinha, em alguma cidade histórica,  sobre lugares incríveis e sobre  como podemos revolucionar nossa própria vida quando  decidimos sair de nós mesmas para percorrer longas distâncias por causa de uma bela paisagem na janela ao acordar, uma cachoeira, o mar, uma cidade histórica, um deserto, um outro país…e ainda conhecer outros viajantes.

Eu preciso viajar…não como fuga. Apenas ir. E isso é urgente. Me acompanhe nesta viagem. Me dê a sua mão que ainda tenho medo de ir só.

Cristina Menezes