Eu, Frida

 

frida

A fotografia faz parte da minha vida, é uma lente a mais na minha retina, o alto grau que corrige  minha miopia. Atrás da lente da minha câmera, eu enxergo melhor tudo ao meu redor, mas não só isso, eu me vejo melhor também. A fotografia foi um olhar certeiro que eu lancei sob mim.  Quando comecei a tirar fotos de mim mesma, eu passei a me olhar de verdade, com o mesmo espanto de uma das personagens da Clarice Lispector. Eu me olhei no espelho e me espantei de ser eu: “como sou delicada e forte.”  Me inaugurei. Frida Kahlo pintou vários autorretratos e se representou como ela mesma se enxergava, sem fantasias ou idealizações.  Eu também me pintei, o rosto, e fiz meus retratos. Cada pintura, uma (re)descoberta.  Um olhar sem recriminações, de dentro pra fora, um olho no olho de quem se encara nas lentes da máquina fotográfica sem medo de se deixar revelar.  É um perto demais, é um zoom de 50 vezes.

Cris Menezes

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