Minhas notas sobre “Esse cabelo” livro da Djaimilia Pereira de Almeida

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“Esse cabelo” é um livro sobre a procura de uma mulher por si mesma.  Não é só sobre cabelo, é uma pequena jornada de autoconhecimento. A personagem Mila resgata suas origens,  para tentar compreender de onde vem esse cabelo. Mila é dona de uma cabeleira crespa que durante toda sua vida a fez perambular por salões atrás de  penteados, tranças e alisamentos. Encontrou muitos profissionais de salão incompetentes para cuidar do seu cabelo, muito preconceito, muitos penteados que se desfaziam poucas horas depois. Até que ela começou a fazer perguntas sobre seu cabelo e suas origens.

Mila (e Djaimilia) cresceu entre dois mundos: Angola e Portugal.  Foi criada em Portugal mas nascida em Angola. Ela traz na cabeça as raízes da África. Ela é uma mulher Africana. Quando pensa em Angola sente saudades de Luanda e pensa em quem poderia ter sido.  Eu acredito que ser de um país é mais que nascer num lugar. Pais e avós também são nossos países: nos imprimem características de uma raça, marcas dos lugares de onde são.   Nós somos mais que a cor da pele.  A personagem (e autora) é africana mas também é portuguesa, como sua avó Lúcia, de quem adorava pentear o cabelo liso e cheiroso.

Confesso que quando li o livro, eu apaguei a Mila (pensei ser um apelido da Djaimilia). Li pensando que eram as próprias memórias da autora, uma biografia.  A verdade é que Mila não é a Djaimilia. Mila é ficção. Há fatos sobre a  personagem que foram inventados. Mas a proximidade é muita entre a autora e a personagem.

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Reprodução

A relação com sua mãe me parece ter sido pautada numa distância (só geográfica?). A religiosidade da mãe a ensinava sobre um Deus que a guardava, mas que não era digna que ele entrasse em sua morada.  Mila  pensava num Deus estranho que a ensinava a estranhar-se. Compreendeu que era uma estranha para si mesma.  Para reverter isso, é preciso dar um passo em direção a si mesma, nos  aproximarmos da estranha que somos.

Quando nos estranhamos, seja o cabelo ou outra característica que nos difere dos outros, ainda não somos dona de nós mesmas.  Quem somos é um território que precisa ser descoberto e explorado. E ninguém pode fazer isso por nós. A busca é solitária.

Lembrei da Natura que laçou recentemente uma campanha “Ocupe seu corpo”, postando fotos de mulheres fora do padrão de beleza imposto pela sociedade. A Bio-extratus também está com uma campanha parecida: “Corpo bonito é aquele que tem uma pessoa feliz morando dentro dele.” Acho que essas campanhas combinam muito com a reflexão que a Djaimilia faz neste livro quando fala sobre ser estranhar a própria morada, como uma metáfora para dizer sobre autoaceitação.O livro “Esse cabelo”  é uma ocupação. Uma ocupação de uma mulher na sua própria morada, “um pulo quanto ao lugar da minha cabeça”.

Quem é a Mila? É uma pergunta recorrente no livro. A cada pergunta que a autora faz, ela abre uma porta que conduz para dentro de nós mesmas, onde também podemos fazer a mesma pergunta: “quem somos?”

Cris Menezes
Agosto de 2017

O Quinze (Rachel de Queiroz)

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Imagem: Reprodução

O sol “sozinho, rutilante, espalhava sobre a terra cinzenta e seca uma luz que era quase como fogo.”  Essa é uma das muitas paisagens que Raquel de Queiroz descreve no livro “O quinze”, um livro sobre a seca de 1915 no Ceará.
 Na primeira página já sabemos que não chovia no sertão. O diálogo entre Conceição (Professora, solteira e independente)  e dona inácia (Avó de Conceição) nos insere na narrativa da seca. Não chove, nem com reza brava. O gado começa a sofrer sem ter pasto verde, sem ter água.
Depois conhecemos Vicente, dono da fazenda e criador de gados.  Vicente “era o mesmo homem forte do sertão, de beleza sadia e agreste, tostado de sol, respirando energia e saúde. ” (81 p)
Ele é primo de Conceição. E eles se gostam. Entre a terra seca e o céu  que “tremia feito uma gaze repuxada”, um romance entre os dois ensaia florir.
Na história de “O quinze” aparece também o vaqueiro Chico Bento que perdeu o emprego porque Dona Maroca ordenou que se não chovesse até o dia de São José, que ele poderia abrir as porteiras  e soltar o gado. E mandou ainda o vagueiro tomar seu rumo.
Chico Bento abre a porteira e começa os preparativos para partir.  Não choveu. Ele consegue trocar com Vicente   uns animais que tinha por um animal de carga.  Planejava ir até Quixadá e arranjar as passagens de graça que o governo prometida para Fortaleza. Mas ele não consegue as passagens. Eles terão que fazer o caminho todo a pé:  Ele, a mulher (Cordulina), os 5 filhos,   a cunhada (Mocinha) e o cachorro (Limpa-trilho). Debaixo de um sol de rachar, eles entram em êxodo (saída).
Êxodo na bíblia foi a saída da escravidão do povo israelita comandados por Moiséis. O povo de Deus caminhou pelo deserto por 40 anos atrás da terra onde jorrasse leite e mel, terra prometida por Deus desde Abraão. A terra prometida de Chico Bento é o Amazonas. Ele sonhava com o amazonas como se fosse esta terra prometida, como podemos ver neste trecho do livro:
“E a imaginação esperançosa aplanava as estradas difíceis, esquecia saudades, fome e angústias, penetrava na sombra verde do Amazonas, vencia a natureza bruta, dominava as feras e as visagens, fazia dele rico e vencedor.” ( 36 p.)
Então Chico Bento  arribou com sua família e  empreenderam a maior caminhada da vida deles- caminhavam para se retirar da sua terra seca, para não morrerem de fome, para dar esperança aos filhos.  A família caminha castigada pelo sol, fome e sede.
Enquanto isso, Conceição trabalha de voluntária no Campo de Concentração em Fortaleza- um lugar arranjado pelo governo para abrigar os retirantes da seca . Já pelo nome, não achamos que realmente seja um lugar razoável. E Vicente também luta com a seca para salvar seus gados.

A linguagem da Seca

 Rachel de Queiroz conseguiu descrever a paisagem seca, sem idealizações. Como leitores, conseguimos sentir a terra seca, o sol queimando tudo, o horizonte vermelho. Podemos sentir até os olhos arder com a poeira seca. Somos inseridos no sertão nordestino sem mesmo ter estado lá, tão forte e expressivas e certeiras são suas palavras.
“O céu, transparante que doía, vibrava, tremendo feito uma gaze repuxada.” (23 p.)
A terra seca torna-se infértil, como o destino dos personagens. Sem água, as plantas vão secando, os gados morrem e os personagens definham. A natureza  morta faz com que as pessoas se retirem, se refugiem, como um exílio. Sair da sua terra mesmo que para não morrer, é doloroso para o sertanejo.
Quando a autora descreve a paisagem do sertão, a seca que toma conta de tudo reflete no sertanejo. Tudo é tão seco que até os personagens choram  lágrimas secas.  A  paisagem seca afeta o personagem.
“O peito estava seco como uma sola velha” (53 p.)
Os personagens acabam sendo uma extensão da natureza seca: também secam, também perdem a vitalidade, também são galhos retorcidos a beira da estrada desejando água, fonte da vida.
“A Limpa-trilhas grania e parava, lambendo os pés queimados.” (48 p)
“A pele empretecida como uma casca, pregueava nos braços e nos peitos, que o casaco e a camisa rasgada descobriram.” (72 p.)
A paisagem assume humanizações (sentimentos dos personagens)
“Pobres árvores pareciam lamentáveis” (18 p.)
“Chão era uma confusão desolada de galhos secos.” (24 p)
Desolada e lamentável servem para qualificar as árvores, mas são sentimentos dos personagens.  A seca no Nordeste matou muitas pessoas. Seja pela falta de água e escassez de alimentos, seja pela inabilidade do governo em gerir problema.

O romance que não floriu

Vicente e Conceição eram muito diferentes, mas se gostavam. Vicente, homem sem estudo, homem forte do sertão, dono da  fazenda e dos gados. Conceição, solteira e independente, professora, que lia romances. Mas nenhum diria ao outro o que sentia. Talvez Rachel de Queiroz não quisesse romantizar o livro e o provável romance morre com a seca, antes mesmo de acontecer. O livro foi escrito em 1930, numa época em que a mulher ainda era exaltada como submissa, e devia  exercer apenas o papel de mãe e cuidadora do lar.  Conceição já questiona os antigos papéis da mulher na sociedade, ao não se casar, a ter as próprias ideias, a trabalhar.  Conceição é dona do seu próprio destino. Rachel de Queiroz inova com um personagem feminista na década de 30, que dentro do próprio livro, as escolhas de Conceição deixavam a sua avó preocupada.
É ainda interessante falar que quando publicou o livro, os críticos apostavam que tinha sido escrito por um  homem. Ninguém acreditava que uma mulher nova pudesse escrever um livro tão espetacular como O Quinze! Como menosprezavam a mulher. Rachel de Queiroz imprimou força, liberdade e doçura nos personagens femininos de O Quinze.

Fim

O quinze é um grande livro que retrata a seca de 1915 no Nordeste. Rachel era criança em 1915. Do que ela lembra desta seca eu não sei. Sei só que o livro é bom e que a a autora  tentou mostrar a seca sem idealizações, numa linguagem direta, simples, clara, regional e acima de tudo numa linguagem “seca, cinza e vermelha”, como o sertão sem chuva.
Cris Menezes
Agosto de 2017

A mulher de Pés descalços- Scholastique Mukasonga

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Imagem: reprodução
O livro foi lançado no Brasil durante a Flip. Conta a história da Scholastique Mukasonga, da Stefania (mãe de  Scholastique),  da sua família. Conta a historia de Ruanda, do ódio entre etnias. O livro não é ficção. É literatura da vida. Mas não é um testemunho da guerra. Os fatos narrados nos remetem a infância da autora em Ruanda. São anteriores ao genocídio de Ruanda em 1994.

1. Mãe cuidadora

Temos no livro o tempo todo uma voz maternal a nos guiar na leitura. A mulher de pés descalços é Stefania, uma mulher da terra, matriarca, com todos os sentidos alertas para proteger as filhas, com ouvidos atentos a qualquer barulho que possa representar o perigo, com pés que sabem “ver” os perigos da estrada. Stefania tem mãos abençoadas que preparam os alimentos para os filhos, que planta e colhe, que faz remédios das plantas e afaga a cabeça das filhas.  Stefania representa a mulher forte em Ruanda. Como ela, havia várias outras guardiãs do lar.  Uma mãe cuidadora.
Stefania  pedia para  suas filhas que quando morresse, era para elas cobrirem seu corpo.  Scholastique não estava lá quando sua mãe morreu, não pode cobrir o corpo da mãe. O livro “A mulher de pés descalços” é pano de papel que a escritora tece, como reparação, para cobrir a memória da sua amada mãe. Palavras como um berço para acolher aqueles a quem amamos, palavras como ressurreição para reviver as histórias das origens de uma mulher, de um povo, de uma raça.  Palavras  vão tecendo, com fios de delicadeza , a história de uma mãe que tinha pés que sabiam “ver”. E como nem sempre poderia estar perto das filhas para ajudá-las, queria que os pés delas também aprendessem a “ver”. Por isso ensinava às filhas, num ritual,  para que os pés delas também pudessem ver as pedras e o perigo do caminho.  (Quantas marcas  Scholastique traz nos seus pés por ter andado descalça e não conseguir desviar das pedras? Quais marcas trazemos no corpo e na alma que diz da onde viemos?)
Scholastique é sobrevivente. Ela saiu de Ruanda dois anos antes do genocídio. Seus pais decidiram que ela devia sair dali. Seu passaporte para fugir de Ruanda foi falar francês. E com as palavras na língua francesa ela conta a história de um povo, do seu povo, das suas origens, para que não a memória da sua família e seus costumes não sejam esquecidos.  Scholastique é uma voz africana em língua francesa. É uma voz daqueles que não tiveram voz. Ouçamos  Scholastique. Tire as sandálias. E escute a mulher dos pés descalços falar por meio da filha. Aprenda.

2. Tire as sandálias

Scholastique resgata suas memórias de infância ao lado da mãe e da família Tutsis. Os tutsis (uma etnia) era minoria em Ruanda e eram perseguidos pelos Hutus (que queriam exterminá-los). A rivalidade entre as duas etnias, que talvez nem fossem etnias, porque segundo a escritora, falam a mesma língua, moravam um do lado do outro, tinham os mesmos costumes- culminou num genocídio da minoria Tutsis.
Desde criança, o medo dos Hutus rondava as famílias Tutsis. Eles precisaram sair de sua cidade para viver no exílio. A perseguição dos Tutsis me lembra outras perseguições, como a perseguição dos nazistas aos judeus- que também foram mortos em campos de concentração.  Podemos ainda citar a guerra entre os israelitas e palestinos. O livro então mostra a mãe de  Scholastique sempre preocupada em proteger os filhos. Ela armava esconderijos no quintal para os filhos caso os perseguidores chegassem. Ela criava trilhas de fuga e enterrava alimentos no caminho, se os filhos fugissem teriam o que comer. Depois,  desenterrava os alimentos e comiam. Depois enterrava de novo outros alimentos.  Os Tutsis tiveram que sair de sua terra e foram morar em outro lugar, viviam como exilados, e com medo das perseguições. Viviam com dificudade. Plantavam o próprio alimento.

3. Cabelo em forma de lua: procurando marido

As meninas que já estavam na idade de se casar, usavam um corte especial no cabelo: o  amasunzus  ( em forma de meia lua). O  amasunzus sinalizavam que a mulher estava buscando marido.  Serviam de distinção entre as mulheres solteiras das casadas. Mas  Schomastique quando era adolescente viu novas influências aparecerem em relação ao cabelo: o cabelo alisado começou a ser difundido como ideal de beleza. Mas só as meninas mais ricas tinham o pente de ferro para alisar o cabelo.  A partir daí, a tradição do  amasunzus foi tida como ultrapassada. E todas sonhavam com o cabelo liso.
Vamos conhecendo outros costumes como a escolha criteriosa das moças para casar, e que Stefania participava ativamente e suas opiniões eram muito relevantes. O casamento era visto como primordial para a mulher. A mulher que não se casava, os pais ficam tristes e envergonhados. Me lembra muito as “mulheres-sobras” na China,  mulheres que não se casaram e que eram vistas como mulheres que sobraram, eram desprezadas.  Para casar na Ruanda, como em muitos países antigamente, os pais escolhiam a futura esposa. E os critérios eram observados: beleza, disposição para o trabalho, boa família, e se a moça apresentava sinais de fecundidade e etc. Claro que o padrão de beleza deles é diferente do padrão de beleza hoje da sociedade ocidental, mas ainda assim, eles também tinham seu padrão de beleza que era determinante na escolha para o casamento.

4. “O único espelho eram os outros”

E o mais interessante é que as mulheres não sabiam se eram bonitas ou não porque não tinham espelhos. Elas não conheciam o próprio rosto. Como saber então se eram bonitas? O espelho eram os outros, a mãe, a família, as amigas. Penso que hoje apesar de termos espelhos para nos conhecermos, ainda damos muto poder ao outro de determinar se somos ou não bonitas. Nosso espelho ainda continua sendo o outro, ainda nos importamos muito com a opinião das outras pessoas em relação  a nossa aparência. Mas nessa comunidade em exílio, sem acesso aos espelhos (eles já existiam- mas elas não tinha acesso), a identidade feminina era construída a partir do olho do outro, somente.  Mas pelo que pude apreender do texto, esse não era um problema. Nós que temos espelhos, temos mais problemas de autoestima que essas mulheres sem espelhos. Mas o fato é que em 1960, na África, ou em 2017, no Brasil, a beleza ainda continua sendo importante. Temos outros padrões de beleza, mas temos os nossos padrões e exclusões ao que foge deste padrão.

5. O que o livro me marcou

O que gosto nos livros é que eles me mostram outras interpretações de mundo. Há outros povos, que organizaram  a vida de forma diferente da nossa. Quando ia imaginar que um corte de cabelo na África indica que uma mulher estava  procurando marido? Por isso, a leitura me deu mais uma lente para olhar o mundo.
Um dos livros mais intensos, tristes, maternais, ternos, firmes, confiantes, que já li na vida. Eu chorei quando vi  Scholastique falar da sua história na Flip; Chorei quando comecei a ler o livro, na primeira página. E continuo chorando por esta historia porque me toca absurdamente, com tanta ternura. O que é o amor de uma mãe que faz tudo para proteger seus filhos do perigo da morte e no fim toda sua família é exterminada como barata ( que é uma expressão usada no livro.)?!Quantos livros serão escritos ainda para falar do terror das guerras? Enquanto ainda existir ódio, racismo, preconceito, lutas, guerras. Enquanto ainda não nos reconhecermos como irmãos nesta imensa terra.
Sou brasileira, negra de pele clara (dizem que sou morena), nunca fui na África, nem falo francês, mas ao ler o livro traduzido na minha língua, me senti como uma irmã ruadense, e chorei a dor de  Scholastique e de tantas mulheres orfãs- de mães e de filhos- que os perderam sejam nas grandes guerras  ou nas guerras das cidades brasileiras.
Cris Menezes
Agosto de 2017

10 coisas que você precisa saber antes de se hospedar em hostel (Quarto compartilhado)

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Buena Vista Hostel

  1. Você vai dividir um quarto com outros viajantes que você nunca viu na vida. (A maioria dos hostels têm opções de quartos privados- por um valor maior). Nem todo hostel oferece quartos femininos. Há os quartos mistos- homens e mulheres dividindo o mesmo espaço. (Mas calma. É super  tranquilo.)
  2. Hostel em baixa temporada costuma ser vazio. Você provavelmente vai ficar só no quarto coletivo.
  3. Nos quartos que têm ar condicionado, geralmente só pode ser  ligado depois das 22 horas.
  4. Se você chegar tarde ou acordar mais cedo não poderá ligar a luz para não incomodar os hóspedes que estão dormindo. Vai ter que se virar no escuro para pegar roupas na mala e etc.
  5. O café da manhã do hostel é uma gentileza, não um banquete. Lembre-se que você vai pagar  50 reais  por uma diária.  Agradeça se tiver um pão com queijo.
  6. Em alta temporada, a diária triplica e o café da manhã não.
  7. Esqueça televisão no quarto.
  8. Sempre vai ter alguém que ronca na beliche ao lado.
  9. O banheiro pode ser dentro do quarto ou fora. E com certeza haverá mais mochileiros do que banheiros disponíveis. Então, você provavelmente terá que esperar sua vez para tomar banho. Considere que mais de 4 pessoas compartilhando o mesmo banheiro, se não tiver limpeza diária, ficará parecendo banheiro público de rodoviária.
  10. Não crie expectativas em relação a fazer muitos amigos no hostel. Há grandes chances de encontrar outros viajantes para juntos conhecerem a cidade, mas pode acontecer de você ficar só no quarto coletivo  ou não dar certo de combinar nenhum passeio com o pessoal do seu quarto. Ou seja, você está viajando só. Encare as amizades como surpresas boas da viagem.

*Se tiver de boa com os itens acima, viaje sem medo.  O hostel é uma casa que acolhe mochileiros. É um lugar simples, sem luxos, mas com uma energia boa. A equipe que trabalha no hostel te acolherá muito bem, como um amigo. E se estiver receptivo para conhecer novas viajantes como você, poderá encontrar novos amigos, boas conversas   no final do dia, e se tiver sorte, companhias para fazer os passeios. E ainda voltará com muitas histórias para contar.

Cris Menezes

Barco iluminado

 

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Sentei  na beira da praia. De repente um barquinho surgiu do nada como se tivesse brotado de dentro do mar. Assim: o oceano engole os barcos e depois devolve pra praia.  O barco balançava ao sabor das ondas e eu não tirava os olhos do mar. O mar já é vistoso por si só, sem enfeite, ainda mais quando se enfeita de barcos. Parecia um quadro vivo, sendo pintado naquele momento. É por isso que sou fotógrafa: para pintar instantes. Dei um adeus tímido para o barquinho. Não demorou muito para que sumisse da minha vista. Lembrei da cidade grande com seus carros velozes e a vida  apressada.  Aqui a vida anda devagar. Devagar devagar o barquinho chega. A beleza  da viagem também está no caminho.

Depois que a tarde caiu, eu me levantei da beira da praia. A menina que sentou ali sozinha, saiu uma mulher dona de si carregando seu próprio tempo nas costas. E como era leve o tempo- qual o barquinho se deslizando nas ondas do mar.

Cris Menezes

Memórias da primeira viagem solo. Foto  do post: praia de Iracema-Fortaleza CE. O barco da foto é o barco do qual eu falo no texto.

 

como nasceram os passarinhos

Phonto

Deus é autor dos passarinhos

ele os inventou numa manhã fria de inverno

enquanto a primavera se preparava para dar flor lá embaixo da terra

os passarinhos foram criados para a primavera

Deus acomodou cada passarinho nos galhos das árvores

como um artista cuidadoso e os ensinou que ali era sua casa

eles voariam mas voltariam para as árvores

céu não é casa

céu é só estrada de pássaro

eles voam de árvore em árvore procurando a primavera

fico emocionada só de contar esta história

porque Deus é um poeta

a criação é poesia

eu e você somos os leitores desta grande obra

Cris Menezes

*Foto deste post foi tirada na Chapada dos Veadeiros

amor de circo~cordel

eu e tu bem que podia sê artista de circo

nóis dois podia era sê equilibrista

num trapézio gigante

lá roçando as estrelas

eu me jogaria e tu seria a minha rede

depois nóis dois podia voar juntin

caminhar no chão feito de ar

equilibrá na corda bamba

fazê piruetas

os filhos que a gente tivesse

ia crescer tudo no circo e quem sabe todos quisesse sê artista

dançarina, mágico, palhaço, poeta

nossa família ia sê uma trupe e criar os espetáculos mais bunitos que este sertão já viu

nossa alegria seria arrancar risos do nosso respeitável público

e assim sê também feliz

Cris Menezes